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Obesidade é considerada uma epidemia mundial
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Obesidade é considerada uma epidemia mundial
A obesidade é um importante fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, câncer de cólon e problemas cardiovasculares. Alguns graus de excesso de peso já atingem mais de 32% da população adulta no Brasil, segundo dados de 1989. Hoje, a obesidade é considerada uma epidemia mundial. No Brasil, o fato de a obesidade ter aumentado desde 1989, em todas as faixas etárias e níveis sociais, tem preocupado o Ministério da Saúde.

O ministério lançou uma campanha mundial para incentivar o aumento do consumo de frutas e verduras. “A proposta é estimular o consumo desses alimentos para evitar doenças e melhorar a qualidade de vida da população. Isso, com certeza, vai desencadear várias outras ações relacionadas à nutrição”, enfatiza Michelle Lessa, da equipe de implantação do Programa Bolsa-Alimentação.

O aumento da gordura com acréscimo de peso do corpo pode estar vinculado a diversos fatores, tanto genéticos quanto ambientais. Ocorre, principalmente, quando o gasto de energia é menor em relação ao consumo, em um determinado tempo.

Pesquisa revela que, embora a classe de maior renda seja a mais atingida por esse mal, houve um crescimento de casos na população de menor renda. “Antes, tinha-se a idéia de que a obesidade era mais ligada aos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, porém hoje sabe-se que a obesidade também está bastante presente nos países em desenvolvimento”, declara a nutricionista Anelise Rízzolo, assessora técnica da Coordenação Geral de Políticas de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

Anelise Rízzolo explica que alguns fatores como a globalização e urbanização social foram responsáveis pelo agravamento da incidência da obesidade. “Antigamente, os homens viviam em lugares distantes e saiam à caça de alimentos. Eles tinham um modelo de vida que envolvia atividades físicas e hábitos alimentares mais saudáveis”, destaca a assessora.

A globalização levou a sociedade a gastar menos tempo com atividades físicas. “Temos hoje vídeo cassete, controle remoto, microondas e vivemos em apartamentos pequenos onde se anda pouco e faz tudo. As ocupações de trabalho também envolvem menos gasto de energia”, assinala Anelise.

O novo modelo da sociedade também ocasionou o aumento calórico das dietas. “Estamos na era do fast food, em que se come muito mais calorias, em volumes pequenos para adequar-se à ‘falta’ de tempo da vida moderna”, observa a nutricionista. Ela destaca a necessidade de uma estratégia capaz de inserir as atividades físicas na vida das pessoas, o que foi dificultado pela falta de tempo e segurança. “O espaço público não permite que se faça tantas atividades ao ar livre”, explica a assessora. “A falta de segurança também prejudica”, acrescenta.

Ações do Ministério da Saúde – Em 1999, o Ministério da Saúde criou a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) em parceria com mais de 180 entidades. O programa é responsável pelo direcionamento de todas as ações da Coordenação Geral de Políticas de Alimentação e Nutrição do ministério. A PNAN atua com base em sete diretrizes, das quais duas estão focadas no combate à obesidade. Uma é a Promoção de Práticas Alimentares e Estilo de Vida Saudáveis, caracterizada pelo incentivo à saúde. Outra é a Prevenção e Combate aos Distúrbios Nutricionais e Doenças Associadas à Alimentação e Desnutrição.

“De todos os programas em desenvolvimento, a linha de promoção da alimentação saudável é a nova grande temática que começa a ser abordada”, destaca Anelise.

Um avanço do Ministério da Saúde nesse sentido foi a rotulagem nutricional obrigatória de produtos alimentícios, regulamentada no ano passado. Hoje, a população conta com informação nutricional padronizada, dividida por porção. “A idéia de usar como medida a porção é mostrar a pirâmide alimentar. Até porque facilitou para o consumidor ter a idéia de quantidade”, destaca Anelisse Rízzolo. “O uso da porção mostra que você pode comer de tudo moderadamente”, explica.

O Brasil está entre os quatro países que contam com a rotulagem obrigatória e está servindo de modelo para outros. O Trabalho foi desenvolvido em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As normas para rotulagens nutricionais estão disponíveis no site www.anvisa.gov.br.

Outro trabalho desenvolvido pelo ministério é a elaboração dos Guias Alimentares da População Brasileira. Trata-se de um material educativo voltado para a alimentação de crianças menores de 2 anos e, em breve, deverá estar pronto o guia para a população acima de 2 anos. “A idéia é divulgar informação nutricional e, com isso, evitar a obesidade e desnutrição”, ressalta Michelle Lessa. Os guias alimentares estimulam o consumo de frutas e verduras do Brasil.

O Ministério da Saúde está integrado no desenvolvimento da Estratégia Global para Promoção da Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde. O projeto está em fase de discussão e é liderado pela OMS e pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS). Um dos trabalhos que será realizado é buscar a regulamentação da publicidade e propaganda de alimentos. “O objetivo dessa estratégia global é fazer com que o mundo perceba o perigo da obesidade e pensar numa ação de combate padronizada”, destaca Anelise Rízzolo.
Obesidade Infantil
De 1983 a 1994, houve um aumento de peso acelerado em jovens e crianças de 5 a 14 anos. No Brasil, os primeiros dados de obesidade e sobrepeso em adolescentes foram levantados pela Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição, em 1989. A pesquisa constatou que entre adolescentes da região Sudeste era quase duas vezes maior o risco da doença que no Nordeste. Uma novidade que vêm preocupando é o aumento da obesidade em crianças menores de 2 anos na região Nordeste.

Dados revelam que, nas últimas décadas, as condições de saúde das crianças melhoraram. Houve queda significativa de doenças infecciosas, graças às medidas de higiene e saúde pública. Já em relação à obesidade não se pode dizer o mesmo. A vida urbana levou a diversas mudanças de comportamento, relacionadas à dieta e atividades físicas que agravaram a incidência da obesidade infantil. “De acordo com estudos, o aumento de peso no grupo das crianças pode tornar maior o risco da obesidade em adulto e ainda aumentar o risco de doenças crônicas não transmissíveis”, explica Anelise Rízzolo.

A alimentação saudável para crianças também é uma importante linha de trabalho a ser construída. “Já existe um consenso sobre a importância de uma legislação que segure um pouco o fascínio que a propaganda de alimentos exerce, principalmente, em crianças”, destaca a assessora.
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