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Os gordinhos já podem respirar
aliviados: até o fim de junho, cada trem do metrô de São Paulo terá duas
cadeiras especiais para obesos.
Comerciante Fábio Rogério Riskallah
“Nosso banco tem 90 centímetros de largura, ele é correspondente à largura
de dois bancos tradicionais, de dois bancos comuns”, explica Wilmar
Fratini, gerente de operações do Metrô-SP.
A novidade vai ajudar a diminuir o constrangimento do gordinho no
transporte público, porque, quando chega um passageiro como o comerciante
Fábio Rogério Riskallah, 168 quilos, muita gente pensa...
“Não, não senta aqui, não. Senta ali, senta ali”, confessa um passageiro.
“Eu me sinto mal, também, atrapalhando os outros. Para não constranger
ninguém, eu prefiro ficar de pé”, diz Fábio.
Nos Estados Unidos, depois de receber muitas reclamações de passageiros
incomodados com os gordos, a empresa United Airlines anunciou uma medida
controversa. Agora o obeso pode ser obrigado a pagar duas passagens, ou
uma na classe executiva, bem mais cara. Outras companhias aéreas no mundo
já fazem o mesmo.
Será que essa moda pega por aqui, onde 13% dos brasileiros adultos são
obesos?
“Não há mínima possibilidade de discriminar o obeso e exigir dele qualquer
valor a mais para a prestação do mesmo serviço”, garante Aristóbulo de
Freitas, advogado especialista em defesa do consumidor.
Nós acompanhamos Fábio no ônibus, no metrô e no avião para mostrar o
aperto que os passageiros mais pesados enfrentam quando não há cadeiras
especiais.
O sufoco começou já na catraca do ônibus. “Não passa, não. nem que a vaca
tussa!”. O jeito foi entrar por outra porta.
No metrô, mais aperto nas hora de sentar. Foi a primeira vez que Fabio
viajou de avião. Um vôo um tanto espremido...
“O cinto não cabia, tive que pedir para a aeromoça me dar uma extensão, ou
um extensor, como chamam, e aí veio tranqüilo”.
Na hora de destravar a bandeja, o nosso gordinho teve de decidir. “Ou é a
barriga ou é a comida”.
Ninguém precisa, claro, passar por esse vexame. É direito do obeso,
garantido por uma lei federal, ter assentos exclusivos em todos os meios
de transporte.
“Quando ele for firmar algum contrato de transporte público, seja aéreo,
seja terrestre, ele deve pedir o seu local preferencial, o seu local que a
lei já determina. O obeso tem que exercer os seus direitos. Não pode ter
vergonha”, recomenda o advogado.
Em São Paulo, por exemplo, um a cada cinco ônibus já está preparado para
receber os cheinhos.
“Ele é um banco duplo, sem divisão no assento”, detalha Guilherme Benazzi,
diretor de serviços da SPTrans.
O obeso também não é obrigado a passar pela catraca. “Ele pode descer pela
frente”, explica Benazzi.
“Ninguém é gordo porque quer, os obesos merecem nosso respeito”, diz
Aristóbulo.
Fabiana Karla, a doutora Lorca, do Zorra Total, dá o recado: “Tratar bem o
gordinho pode! Preconceito com gordinho não pode!”. |
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