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Para os gordos de verdade, aqueles com 45 quilos ou mais além do
peso ideal, a guerra contra a balança pode exigir mais do que remédios,
ginástica e bifinhos grelhados e saladas sem tempero. Nos casos graves de
obesidade, um procedimento muito utilizado hoje em dia é o da cirurgia de
redução do estômago. Dessa forma, diminui a capacidade de a pessoa ingerir comida
e, conseqüentemente, faz com que ela emagreça. Mas, como toda operação tem
riscos, os médicos vêm estudando uma maneira de agir diretamente na área
estomacal de obesos mórbidos, sem que seja necessário realizar grandes
intervenções. Uma das novidades em testes é o IGS, sigla para Implantable
Gastric Stimulation System (Sistema Implantável de Estimulação Gástrica).
Trata-se de um aparelho que funciona nos moldes do marcapasso usado para
regular os batimentos do coração. Implantada sob a pele, na região situada
logo abaixo da cintura, a engenhoca bombardeia a parede externa do
estômago com pequenas descargas elétricas. Ininterruptos, os choquinhos,
por motivos ainda não bem esclarecidos, aumentam a sensação de saciedade.
Uma das explicações prováveis para esse efeito é que os impulsos elétricos
alteram de tal modo os movimentos do estômago que o cérebro é informado de
que ele não está vazio. Assim, ao sentar-se à mesa, o paciente se sente
satisfeito com uma quantidade de comida bem menor do que a que estava
acostumado a ingerir. Idealizado pelo cirurgião italiano Valerio Cigaina e
fabricado pela empresa americana Transneuronix, o marcapasso gástrico está
sendo testado desde 1995 na Itália, França, Bélgica, Suécia, Áustria,
Alemanha e nos Estados Unidos. Ainda neste ano, deve ser autorizada a
experiência em obesos brasileiros.
Em artigo publicado na última edição da revista Obesity Surgery, a equipe
de Cigaina relata que, um ano depois do implante, a maioria
esmagadora dos pacientes chegou a perder 15% de seu peso total. Pode
parecer pouco, mas não é. Essa porcentagem a menos de gordura já é
suficiente para diminuir consideravelmente os riscos de um obeso mórbido
morrer de diabetes ou de complicações cardiovasculares. Outro dado
positivo: a sensação de saciedade ajuda na reeducação alimentar, um dos
pontos-chave no tratamento desse tipo de problema. O IGS é colocado por
laparoscopia – depois de fazer três pequenos orifícios no abdome, o médico
introduz uma microcâmara na barriga do paciente e opera por meio de
pinças. O processo não dura mais do que quarenta minutos. "Não
alteramos a anatomia do estômago: não cortamos nada, não dissecamos nada,
não costuramos nada", diz o cirurgião Arthur Garrido, chefe da equipe que
já foi treinada para testar o marcapasso gástrico no Brasil.
A cirurgia de redução do estômago tem resultados mais rápidos e visíveis,
já que a capacidade de ingerir alimentos cai de cerca de 1,5 litro para
apenas 200 mililitros. No entanto, a adaptação do paciente à sua nova
condição é complicada. Isso porque a pessoa continua a sentir a mesma
compulsão à mesa. Se ela exagera na comida, é acometida por violentas
crises de vômito.
Apesar de o aparelho produzir a sensação de saciedade, se o paciente for
tomado por uma vontade incontrolável de se empanturrar de bolo e sorvete,
comerá sem maiores transtornos, mas terá o efeito colateral do
remorso. |
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