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Os brasileiros estão entre os que mais tentam emagrecer e os
que mais têm dificuldade para controlar o peso, especialmente as
mulheres. Nossa (eterna) luta contra a balança foi esmiuçada num
levantamento patrocinado pelo laboratório farmacêutico Abbott. Mais
do que uma simples radiografia da obesidade no Brasil, o trabalho
traz dados que ajudam a explicar por que essa guerra tende a ser
inglória. O motivo é simples: as concepções dos brasileiros sobre
como enxugar a silhueta são completamente equivocadas. As
conseqüências disso são desastrosas – falta de ânimo, abandono do
programa de emagrecimento e o inevitável círculo vicioso do
emagrece, engorda, emagrece, engorda.
O mais grave de nossos erros é acreditar que a
melhor forma de emagrecer é perder peso rapidamente. Em nenhum outro
país esse engano é tão comum quanto aqui. O laboratório Abbott fez a
mesma pesquisa em outros oito países e constatou que 25% dos
brasileiros têm essa crença, contra 6% dos ingleses, 7% dos alemães
e 8% dos espanhóis. Embarcar num regime rigorosíssimo pode até
surtir efeito nas primeiras semanas. O problema é que ninguém
agüenta viver à base de uma dieta extremamente restritiva por um
longo período. Até três meses depois de iniciar a dieta, seis de
cada dez brasileiros abandonam tudo e retomam os hábitos alimentares
anteriores (veja quadro ao lado). Nada menos que um quarto recupera
os quilos perdidos, e mais rápido do que se livrou deles. A
explicação é que, quando ocorre uma redução drástica no consumo de
calorias, o organismo passa a trabalhar num ritmo mais lento como
forma de poupar energia. Quando a pessoa volta a ingerir a mesma
quantidade de comida de antes do regime, essa baixa metabólica
persiste por algum tempo, o que leva a que se engorde mais
velozmente. A partir daí tem início o filme que muitos brasileiros
protagonizam. Voltam a ser motivo de incômodo a barriga saliente, os
pneus na cintura, os braços e coxas roliços. Retoma-se a dieta, para
em seguida abandoná-la outra vez. E assim vai. Seis de cada dez
brasileiros que entraram em dieta nos últimos três anos não
conseguiram manter a nova silhueta e padeceram do
engorda-emagrece-engorda. O "efeito sanfona" não é só um incômodo
estético. Ele pode ter sérias repercussões para a saúde, entre as
quais o aumento do risco de doenças cardiovasculares. Além disso,
por causa dele, a cada nova dieta fica mais difícil perder peso.
Quem mais relata dificuldades para afinar a silhueta são as mulheres
acima de 35 anos. Comparado ao sexo masculino, o feminino tem mais
depósito de tecido adiposo. Além disso, conforme a idade avança,
fica cada vez mais difícil emagrecer – e essa maldição é mais
acentuada nelas, por causa de questões hormonais principalmente.
Para se ter uma idéia, o ritmo do metabolismo é reduzido a cada
década a partir dos 30 anos. Resultado: ganham-se, em média, 4
quilos a cada dez anos.
A
saída, segundo os médicos, é estabelecer metas razoáveis de
emagrecimento. A perda recomendável é de 10% do peso inicial num
prazo de seis meses. Querer perder mais do que isso em menos tempo
representa um perigo para a saúde, além de ser praticamente
inalcançável. A dieta com maiores chances de sucesso é a de, no
mínimo, 1.200 calorias diárias. Com essa fórmula fica mais fácil
manter-se fiel ao programa de emagrecimento. Estabelecer como
objetivo de médio prazo 10% de quilos a menos pode parecer pouco.
Mas é assim, devagar, que o organismo vai se adaptando ao "novo
peso". Se, passado esse período de meio ano, o espelho continuar a
clamar por uma imagem mais esbelta, é possível reduzir ainda mais a
ingestão de calorias, sem grande sofrimento.
Outro
equívoco dos brasileiros é imaginar que, para livrar-se dos males
típicos da obesidade, como hipertensão, diabetes e aumento do risco
de problemas cardíacos, é necessário perder mais de um décimo do
peso total. Muita gente prefere nem arriscar, de tão árdua que a
tarefa parece. É verdade que, para anular de vez os perigos que o
excesso de peso representa para a saúde, só mesmo deixando de ser
obeso. Mas reduzir o peso entre 5% e 10% já é suficiente para
minimizar os efeitos deletérios da obesidade, em um primeiro
momento. A dificuldade para perder peso é tamanha que uma parcela
significativa dos entrevistados de todas as nacionalidades afirma
que estar em paz com a balança é uma das questões mais desafiadoras
de nosso tempo. |
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