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Revista Veja . Edição 1828 .
12 de novembro de 2003 |
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Mudança nos hábitos alimentares e vida
sedentária detonam epidemia de gordura entre os europeus |
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AP |
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Pesos-pesados na Dinamarca: em estudo,
leis contra anúncios de comida |
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Na Inglaterra, o número de lanchonetes fast food dobrou nos
últimos dez anos. Na França, espalha-se o costume
tipicamente americano de as pessoas fazerem qualquer coisa –
trabalharem, estudarem, assistirem a jogos esportivos –
comendo biscoitos, bolo, chocolate, batatas chips ou outras
bobagens. Na Itália, em dez anos, 10% da população deixou de
consumir frutas regularmente. Mudanças radicais como essas
no estilo de vida e nos hábitos alimentares fizeram com que
os europeus engordassem – e muito – nos últimos vinte anos.
Nesse período, a proporção de obesos na Europa dobrou,
atingindo 17% das mulheres e 15% dos homens. Em alguns
países, o nível de obesidade se aproxima dos números dos
Estados Unidos. Com um em cada três americanos na categoria
de obesos, o país é o campeão global de gordura. A
Organização Mundial de Saúde já considera oficialmente que a
Europa enfrenta uma epidemia de obesidade. Uma das razões é
evidente: os europeus estão comendo cada vez mais do jeito
que os americanos comem. |
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Os ingleses foram os que mais engordaram. São
também os que vivem de modo mais extremo o estilo de vida sedentário
próprio dos moradores das grandes cidades. Os obesos já representam
23% da população inglesa, três vezes mais do que há vinte anos. Os
especialistas culpam a combinação de alimentos industrializados com
crescente sedentarismo como a responsável pelo fenômeno. A comida
industrializada, além de mais fácil de ser consumida, é mais rica em
carboidratos e gorduras. É também mais barata – uma pesquisa na
Inglaterra revelou que os moradores mais pobres dos grandes centros
urbanos apresentam um nível maior de obesidade. Para se ter uma
idéia, em Londres 1 litro de refrigerante chega a custar 30% menos
que a mesma quantidade de água mineral. Comparação semelhante vale
para o preço da comida rápida vendida nas lanchonetes em relação a
um prato completo que inclua salada e legumes.
Calcula-se que 8% dos gastos de saúde dos países da União Européia
sejam relacionados à obesidade, que pode causar diabetes,
hipertensão e doenças cardíacas. A cada ano, 78.000 novos casos de
câncer são atribuídos a excesso de peso. A preocupação é maior com
relação às crianças. A comissão de saúde da União Européia teme que
as crianças obesas – 10% do total – vivam menos que os pais ou,
pior, que morram ainda jovens. Uma pesquisa no sul da Itália
concluiu que quatro em cada dez crianças com 9 anos são obesas ou,
pelo menos, estão alguns quilos acima do desejado. Na Inglaterra, um
em cada cinco adolescentes com 15 anos precisa urgentemente de uma
dieta para emagrecer. À procura de solução para esse problema, o
governo inglês estudou a possibilidade de criar um imposto sobre
alimentos considerados demasiadamente calóricos. A idéia foi
criticada porque iria afetar exatamente a população mais pobre.
Agora está em estudo uma lei que obrigue a indústria a pôr um aviso
de advertência nas embalagens e nas propagandas sobre o potencial
calórico dos alimentos. A TV inglesa é, na Europa, de longe a que
mais transmite propagandas de alimentos voltadas para as crianças.
Segundo organizações médicas da Inglaterra, esse é um dos grandes
incentivos para elas comerem porcaria. Na Suécia, onde 18% das
crianças estão acima do peso ideal, o governo simplesmente proibiu
as propagandas voltadas para menores de 12 anos.
Os países do Mediterrâneo, conhecidos pela
alimentação saudável, à base de peixes, frutas, vegetais, azeite de
oliva e vinho tinto, também não escapam da onda de aumento de peso.
O governo italiano e o grego lançaram neste ano campanhas
publicitárias contra o hábito do fast food. É que, cada vez mais,
espanhóis, italianos e gregos estão abandonando a elogiada dieta
mediterrânea. Na Espanha, as novas exigências no trabalho têm feito
com que as pessoas deixem de lado o tradicional horário de almoço de
quatro horas, que nos bons tempos incluía a siesta. O
resultado é que, principalmente entre a população urbana, não há
mais tempo para almoçar em casa, e acaba-se optando por uma comida
rápida perto do local de trabalho. Na Itália, a proporção de pessoas
que consomem verdura todos os dias caiu de 48% para 38% nos últimos
dez anos. Resultado: cerca de 40% dos italianos estão com o peso
acima do ideal. |
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Até os chineses estão
gordões |
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AFP

Crianças gorduchas na
China: a primeira geração bem alimentada |
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A China sempre teve uma das
menores taxas de obesidade do mundo. Até alguns anos atrás,
apenas 2% da população adulta sofria com o excesso de peso.
As mudanças profundas no modo de vida no país nos últimos 25
anos estão cobrando um preço inusitado: pela primeira vez,
está crescendo uma geração de chineses que vai ter de
aprender a lidar com dietas e quilos a mais. Os números são
enormes, como tudo o que se refere à demografia no país mais
populoso do planeta: em apenas três anos, a proporção de
crianças e adolescentes chineses com peso acima do ideal
pulou de 10% para 15%. São quase 50 milhões de jovens
pesando mais do que seria saudável. |
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O fenômeno é uma conseqüência
direta da prosperidade decorrente da abertura da
economia, a partir da década de 80. Antes desse período,
quando imperava a rígida economia planificada comunista,
a quantidade de óleo, arroz e carne que cada pessoa
podia consumir chegou a ser racionada. De lá para cá, em
nenhum outro país do mundo a disponibilidade de alimento
aumentou tanto. Em trinta anos, o consumo per capita de
gordura na China triplicou. No resto do mundo, o aumento
foi de 35%. No intervalo de poucos anos, a população
chinesa teve acesso a um novo mundo de facilidades
domésticas que aumentaram o sedentarismo: televisão,
máquina de lavar roupa e geladeira, por exemplo. Outro
motivo para o crescente número de crianças obesas é o
fenômeno chamado de "síndrome do pequeno imperador". Na
China, a política de controle demográfico restringe a
apenas um o número de filhos permitido por família. Como
conseqüência, o filho único recebe atenção demais e é
alimentado de maneira exagerada. |
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Nos últimos vinte anos, o número de
obesos saltou... |
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