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Cientistas da Universidade de Oxford, na
Inglaterra, conseguiram responder à pergunta que há muito intriga os
gulosos: por que tudo o que engorda é bom? A resposta está no
cérebro. Os cientistas descobriram que os alimentos ricos em gordura
agem na mesma região cerebral ativada por estímulos prazerosos, como
um carinho ou a inalação de um perfume: o córtex cingulado. Efeito
semelhante acontece quando se consomem doces. O artigo foi publicado
recentemente no Journal of Neuroscience, prestigiosa revista
científica americana. "Essas informações podem ajudar na produção de
alimentos mais saudáveis", diz o pesquisador brasileiro Ivan de
Araújo, um dos autores do estudo. Ou seja, com base nesses
conhecimentos, a indústria de alimentos poderá vir a criar, por
exemplo, um sorvete com pouquíssima gordura, mas que estimule o
cérebro da mesma forma que um sorvete tradicional. Ao desvendar os
mecanismos acionados pela ingestão de alimentos gordurosos, também
pode-se chegar à criação de um medicamento que substitua os efeitos
causados por esse tipo de comida no cérebro.
Para compreender a ação da gordura no córtex cerebral, os cientistas
recorreram a exames de ressonância magnética funcional. Os
voluntários beberam várias amostras de líquidos inodoros e
incolores. Uma delas continha um óleo vegetal – e só essa amostra
foi capaz de ativar a região cerebral relacionada aos estímulos
prazerosos. A explicação mais razoável para justificar o fato de a
gordura causar prazer é a de que o cérebro desenvolveu mecanismos
para aumentar o consumo de comidas calóricas. Isso porque, na
pré-história, caloria era sinônimo de sobrevivência (e, do ponto de
vista cerebral, continua sendo). A descoberta pode ajudar a entender
ainda por que algumas pessoas sentem uma necessidade maior de
consumir comida gordurosa do que outras. Nelas, o córtex cingulado
seria mais ativado pela gordura.
Os estudos sobre como a gordura é assimilada
pelo organismo viraram prioridade em muitos centros de pesquisa.
Afinal de contas, a obesidade é uma preocupação de saúde pública – e
não apenas no Primeiro Mundo. Tanto que passou a ser tratada como
epidemia. No Brasil, estima-se que haja em torno de 20 milhões de
obesos. |
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Nos Estados Unidos, onde a epidemia atinge 30% da população
adulta, iniciou-se uma guerra contra os fast foods,
apontados como um dos maiores vilões. Vieram à tona, por
causa dessa cruzada, números impressionantes. Estima-se, por
exemplo, que somente 20% dos freqüentadores de lanchonetes
respondam por 60% das vendas no setor. Eles são os "heavy
users" (consumidores pesados, a mesma terminologia aplicada
a usuários de drogas). Para provar os efeitos deletérios da
gordura, o americano Morgan Spurlock passou trinta dias
alimentando-se exclusivamente de refeições vendidas em fast
foods. Ganhou 11 quilos e teve seus níveis de colesterol
incrivelmente alterados. O resultado pode ser comprovado no
documentário Super Size Me, dirigido e protagonizado por
Spurlock. O filme se tornou uma espécie de Sexta-Feira 13
para os "heavy users". |
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